sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Literatura


        Continente literário


Chega às livrarias a nova tradução do clássico "Guerra e Paz", de Liev Tolstói. Vertida direta do russo, a versão é assinada pelo premiado escritor e tradutor Rubens Figueiredo

Escrever mais de 1 mil páginas na edição original de "Guerra e Paz" foi o menor dos problemas do escritor russo Liev Tolstói (1828 - 1910). É esta uma das conclusões que se pode chegar, após atravessar e quase ser tragado pela nova edição brasileira. São mais de 2,5 mil páginas, divididas em dois tomos, numa edição que já sai como favorita às premiações literárias do ano que vem, em categorias de tradução e projeto gráfico.


Tolstói não queria pegar atalhos. O escritor Rubens Figueiredo, tradutor da nova edição de "Guerra e Paz" que sai pela Cosac Naify, relembra o escritor não entendia sua obra como um romance. Era, antes, "aquilo que quis e pode expressar seu autor, na forma em que foi expresso" (palavras do russo). "Aquilo" é, paradoxalmente, uma definição mais precisa do livro: um emaranhado de histórias, que se iniciam em 1805 e apontam para os decembristas, revolta de uma parcela do exército que rejeitava a coroação do tzar Nicolau I; o escritor revisa o conflito com as tropas napoleônicas e a influência francesa na cultura russa. Tolstói não se contentava em contar uma história. Ele intercala, no livro, sua ficção com digressões, em que envereda pela filosofia, confronta historiadores e reflete sobre a historiografia.
  Publicado em 2 de dezembro de 2011 Diario do Nordeste